Jogador está se tratando em Brasília
Pego duas vezes no exame antidoping por uso de crack, o ex-atacante do Botafogo, Jobson, foi punido por dois anos de suspensão. Atualmente o jogador faz um tratamento psicológico em Brasília. Jobson concedeu uma entrevista ao jornal Extra, onde falou sobre sua situação e a vontade de montar uma clínica de reabilitação.
Como está a sua vida em Brasília depois da punição por doping?
Estou treinando no Brasiliense. Fui muito bem recebido, com respeito, no clube que me abriu as portas. Estou fazendo tratamento psicológico toda segunda e sexta-feira. Hoje (sexta-feira) mesmo tenho uma consulta às 20h. É legal, tem me ajudado muito. Posso desabafar, falar tudo. E a minha mãe está aqui comigo também para me ajudar.
O que mudou na sua vida com o tratamento?
Foram muitas mudanças. Estou pensando em voltar a jogar. Por mim, já estaria jogando. Ficar fora é muito ruim. Essa história de só ver pela TV não é para mim. Já superei o choque e agora quero, dentro de campo, mostrar o que sei fazer.
Qual foi o seu maior medo após ser flagrado nos dois exames?
Pensei que seria banido. Quando soube que não, fiquei aliviado. Agradeço por terem sido só dois anos, porque tem volta. Quero, no futuro, ajudar as pessoas que passam por isso também. Vou montar uma clínica, colocar os viciados lá e mostrar o meu exemplo a todos eles.
Quando voltar, pretende recomeçar do zero ou pensa em retomar a trajetória no futebol do mesmo patamar que você havia atingido?
Penso em chegar até o nível que eu conquistei para, de lá, dar a volta por cima. Recomeçar do zero seria muito ruim, como se eu fosse casar e morar debaixo da ponte.
Quando à questão do crack, você se considerava um dependente da droga ou foi apenas um deslize?
Nem eu sei explicar se era ou não uma dependência…
Você vê a punição como um castigo ou de forma positiva?
Foi boa para mim, como deveria ser para muitos também. Vou ser exemplo para muitos viciados, mas maior ainda para mim mesmo. Não foi com ninguém que isso aconteceu, mas comigo.
Qual a importância do seu filho de um mês, Vitor Leandro, nesse processo?
Ele representa para mim um caminho a tomar. O meu filho tem me ajudado muito. Quando ele for maior, vai se espelhar em mim. Quero que ele me veja como eu estava no Botafogo, jogando muito, e não com esse problema. Conversarei com ele abertamente quando ele crescer.
Você tem mantido contato com o Botafogo? Tem as portas abertas?
Não falei mais com eles. Quem tem falado é o meu empresário, mas espero ter as portas abertas não só lá como em qualquer clube grande.
A suspensão por dois anos foi rigorosa na sua opinião?
Eu achei que foi grande, poderia ter abalado a minha cabeça. Mas agora estou trabalhando a parte psicológica e quero voltar para mostrar que posso fazer algo diferente, sem ter que usar nada.